Os Condenados

 

Acenda as luzes, feche as portas e janelas e confira, duas vezes, se não há nada embaixo da cama.

Andrew Pyper escreve uma obra perturbadoramente atraente.

 

“O medo clássico tem um novo nome” (Se Stephen King disse, está dito!)

 

Em 320 páginas, a história nos mostra Danny Orchard – personagem tremendamente frio se lavarmos em conta tudo que enfrenta no decorrer da trama – e suas relações familiares problemáticas.

 

“O médico a encarou com seus olhos vermelhos, e no mesmo instante minha mãe percebeu duas coisas. A primeira foi que, naquele momento, o dr. Noland não era o dr. Noland. A segunda foi que ela havia cometido um erro, um erro do qual ainda não conseguia medir as consequências, e nada poderia reverter esse erro, nem mesmo a própria morte.”

– pag. 54 –

 

O lance é que Danny morreu. Não morreu de verdade, claro, mas esteve ‘praticamente morto’, e não só uma vez. Além disso, sua irmã gêmea – Ashleigh Orchard, estranha, perfeita, complicada, linda, complexada e extremamente má – Ash, que acabou morrendo de verdade, não o deixa em paz.

Só lendo para entender o angustiante clima de perseguição que acompanha o personagem principal. Apesar de seus esforços, a cada capítulo temos revelações que corroboram a imutável presença maligna de Ash na vida de seu irmão.

 

“Os rostos das pessoas nos outros carros sugerindo suas histórias: os irritados, os ansiosos, os satisfeitos, os entediados. Nas calçadas, todo mundo levava na mão um enorme copo de café ou um celular, como se uma lei proibisse andar de mãos vazias em público. Cenas do dia a dia que me pareciam, a um só tempo, inéditas, comoventes e engraçadas. Vida demais para digerir de uma só vez.”

– pag. 113 –

 

Com o acabamento impecável da Editora Dirkside, Os Condenados atrai pela qualidade literária e pela beleza da obra como um todo. As imagens são harmoniosas com ambiente literário. Capa dura, e tudo mais.

Valeu a pena para Danny, no fim das contas, enfrentar seus temores. E valeu, para esse humilde leitor que vos escreve, o tempo gasto apreciando cada página.

 

 

“Nenhum ruído de enfermeiras andando apressadas pelo corredor, nenhum ranger de sapatos no assoalho polido, nenhum chamado pelo alto-falante para o dr. Isso ou o dr. Aquilo. Como se todo o hospital estivesse envolto em algodão.”

– pag. 158 –

 

Boa leitura.

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A Marcha da Insensatez: De Troia ao Vietnã

Quem vive de histórias, precisa de histórias para viver!

Este livro não é uma ficção, apesar de tratar de fatos históricos que muitas vezes nos são “ficcionados”. Escrito por Barbara Wertheim Tuchman, vencedora do Prêmio Pulitzer.

 

“Tuchman é coerente, minuciosa e extremamente inteligente.”

 

Leitura terminada em 12 de Novembro de 2017, livro que foi presente de Emerson Alves, leitura consideravelmente demorada para suas 559 páginas, das quais 503 são destinadas ao estudo escrito da autora, e o restante das páginas é destinado às Notas e Obras Consultadas.

Com tamanha bibliografia, é inegável a veracidade das informações utilizadas pela autora para transcorrer esse paralelo entre os exemplos de insensatez presenciados em governos distintos, em diferentes tempos históricos.

 

“Em A Marcha da Insensatez, a historiadora Barbara W. Tuchman, duas vezes laureada com o Prêmio Pulitzer, aborda um dos maiores paradoxos humanos: a insistência dos governos em adotarem políticas constrárias aos próprios interesses. Em um texto fluido e envolvente, a autora destaca quatro conflitos históricos em que ações equivocadas tiveram consequências desatrosas para milhares de pessoas: a Guerra de Tróia, a reforma protestante, a independência dos Estados Unidos e a Guerra do Vietnã. Tais episódios mostram a impotência da razão ante os apelos da cobiça e os interesses individuais. Uma leitura fundamental em uma época em que a marcha da insensatez parece se acelerar a cada dia.”

 

Trazendo a lume o evento do Cavalo de Tróia, a seqüência de papados desvirtuados da Renascença, a independência dos EUA, antiga colônia britânica, e a vergonha americana na traiçoeira Guerra do Vietnã, o livro nos demonstra com fatos que esses diferentes exemplos de desgoverno muitas vezes são causados por quatro pontos básicos, muitas vezes combinados: Tirania ou Opressão; Ambição Desmedida; Incompetência ou Decadência; Insensatez ou Obstinação.

Boa leitura.facebook_1512572037447

A Máquina do Tempo

Aguarde um instante, viajante!

Vamos falar sobre um clássico muito mais antigo que a maioria de nós. Os clássicos sempre têm um lugar especial em nossos corações e prateleiras, e em se tratando de H. G. Wells, esse lugar merece destaque.

Meu Kindred e eu comemoramos os ritos sazonais de solstícios de inverno e verão e cultivamos a tradição de troca de presentes no Jól. Foi em um desses festins que fui presenteado com A Máquina do Tempo.

 

“A história de A Máquina do Tempo, diferentemente de sua ideia, encontra-se datada, não apenas em seu tratamento mas em sua concepção. Parece uma performance bastante amadora aos olhos do escritor agora amadurecido, quando ele a relê. Mas ela vai tão longe quanto ia naqueles a sua visão filosófica sobre a evolução da humanidade.”

– Trecho encontrado no Apêndice do livro. Trate-se do Prefácio da edição de 1931, escrito pelo próprio H. G. Wells –

 

Nascido em Bromley, Kent, em 21 de setembro de 1866, Herbert George Wells, filho de um pequeno comerciante, desde cedo teve que se esforçar para ganhar a vida. Conseguiu, em 1883, tornar-se aluno e professor assistente na Midhurst Grammar School, o que lhe permitiu uma bolsa para estudar com o cientista e humanista Thomas Huxley. Antes de se tornar jornalista e escritor profissional, chegou a dar aulas de biologia e tem em seu acervo mais de uma centena de livros escritos, entre romances, ensaios e textos educacionais, antes de morrer em Londres no ano de 1946.

Lançado pelo selo Alfaguara da Editora Objetiva, a edição que tenho em mãos traz uma nova tradução desse, que é o primeiro romance do autor, sendo também o primeiro romance sobre viagens no tempo, o que fez dele um clássico da literatura mundial.

O prefácio desta edição, escrito satisfatoriamente por Braulio Tavares, faz um paralelo entre Wells e outros autores contemporâneos (como Júlio Verne) ou não (como Isaac Asimov) e suas respectivas visões do futuro e da tecnologia e da forma como eles escrevem suas ficções. Os fãs de Julio Verne, por exemplo, poderão criticar a obra de Wells, visto que Verne nunca colocaria em suas histórias uma máquina cujo funcionamento ele não poderia descrever de forma minuciosa. Wells, em contrapartida, não nos dá a menos explicação de como sua engenhoca controlada por simples alavancas.

Wells enxerga o tempo de forma linear. Sua máquina sequer sai do lugar onde estava no decorrer de milhares de séculos. Para frente e para traz, simplesmente avançar ou retroceder no tempo. Não que isso desmereça sua criatividade, pois devemos lembrar que o autor escreveu o livro aos 29 anos, em 1895 e, segundo ele próprio nos conta, optou por desenvolver a ideia central da trama que tinha imaginado devido à problemas financeiros, quando não conseguia publicar ou vender nenhum de seus artigos a qualquer um dos jornais de que era colaborador habitual.

 

“Foi às dez horas da manhã de hoje que a primeira Máquina do Tempo começou sua carreira. Fiz uma revisão geral, apertei todos os parafusos, pus mais uma gota de óleo na alavanca de quartzo e me acomodei no assento. Creio que um suicida, ao encostar na testa uma pistola, sente a mesma curiosidade que eu experimentei naquele instante: o que iria acontecer em seguida?”

– Capítulo 3, pág. 37 –

 

Buscando com esperança encontrar um mercado para a história em alguma área editorial pouco explorada, Wells relata escrever a altas horas de uma noite de verão, junto a uma janela aberta, enquanto uma senhoria o perturbava sobre o uso excessivo de sua lâmpada.

O resultado é o reconhecimento de sua obra.

Contendo apenas 148 páginas, divididas em um Prefácio, 12 Capítulos, um breve Epílogo, o Apêndice e encerrado por algumas Notas, o livro é narrado por um personagem coadjuvante. Um simples expectador que, juntamente com outros integrantes do restrito grupo de amigos do Viajante do Tempo (personagem principal que realmente viaja no tempo) ouve as explicações anteriores e os relatos posteriores sobre a máquina inovadora a sua capacidade impressionante e facilmente dúbio de viajar no tempo.

A trama se desenrola justamente enquanto o personagem principal expõe aos seus ouvintes convidados os resultados de seu primeiro teste com a máquina, encontrando no ano de 802.701 d.C. um mundo e uma sociedade totalmente diferentes do que qualquer um pudesse imaginar.

É claro, não podemos esquecer que, sendo um clássico desse peso, não poderíamos deixar de citar a adaptação para o cinema. Baseado no livro de Wells, dirigido por Gore Verbinski e Simon Wells (bisneto de H. G. Wells, veja só!), e estrelado por Guy Pearce, Jeremy Irons e Sienna Guillory, entre outros, usa como base a ideia central do livro, onde um cientista constrói uma máquina do tempo e viaja de 1889 para 802.701, onde tem contato com duas civilizações completamente distintas, os Eloi e os Morlock (mesmas nomenclaturas usadas no livro). O que diferencia o filme do livro é a motivação do cientista, uma vez que não há noiva nem sequer qualquer romance envolvendo o Viajante no Tempo.

 

“Houve um aspecto curioso que não tardei a descobrir sobre os meus anfitriões: a sua falta de interesse. Ao me verem, corriam na minha direção com gritos de espanto, como as crianças, mas também como as crianças logo paravam de me examinar e saíam vagando em busca de outra distração.”

– pág. 50 –

 

O livro, diferente do filme, não nos dá um diálogo filosófico entre o cientista viajante do tempo e um ser altamente desenvolvido e adaptado ao seu próprio tempo e espaço sobre os rumos que a humanidade tomou em uma diferença significativa de tempo que separa os dois. Mas há uma sede insaciável do personagem principal em descobertas científicas e buscar explicações racionais sobre tais consequências evolutivas.

 

“Até ali, minha barra de ferro era o instrumento mais útil que eu tinha encontrado, e em todo caso saí da galeria com um estado de espírito mais otimista.”

– pág. 105 –

 

Se você é desses que aceita conselhos literários, então lá vai um: Sempre há espaço, seja na lista de leituras, na prateleira ou numa gaveta da memória, para um grande clássico. A Máquina do Tempo fez sucesso instantâneo quando lançado no reino Unido e se espalhou rapidamente por diversos outros países, e não é para menos. Wells, chamado de “homem de gênio”, é considerado um pioneiro, abrindo caminho não só para seus livros e sua visão de mundo, mas para novas possibilidades temáticas na literatura.

Aprecie sem moderação.facebook_1512572069507

O Instinto de Morte

Desde o começo, a vida é repleta de pequenas descobertas, meu caro!

Você passa pela praça e para em uma banquinha de revistas para recarregar o seu pré-pago, quando se depara com um livro exposto entre várias revistas de culinária, jogos de segunda e pornografia. Há muita informação espreitando nas prateleiras, mas aquele livro parece decente demais para estar ali. Despretensiosamente, você acaba comprando, além da recarga do celular, O Instinto de Morte.

Descrito como “Um grande romance” pelo The New York Times, este foi um achado simplesmente despretensioso. Ficou aguardando pacientemente na minha lista de leituras por um bom tempo, até que decidi averiguar o que o autor, Jed Rubenfeld, teria reservado para seus leitores nas 395 páginas, divididas em 22 capítulos, que compõem o livro.

Rubenfeld, nascido em Washington D.C., nos EUA, em 1959, graduou-se na Universidade de Princeton, onde escreveu uma tese sobre Freud – o que sem duvida contribuiu para sua narrativa, visto que em todas as aparições de Freud no decorrer do livro os diálogos se mostram verossímeis e atraentes, deixando claro o alto conhecimento do autor sobre os personagens, sobre o cenário e sobre a época em que a história se passa – e estudou a obra de Shakespeare na Faculdade Julliard de Teatro.

A orelha do livro com os dados sobre o autor nos conta ainda que Jed é um dos maiores especialistas em direito constitucional dos Estados Unidos e professor na Universidade de Yale, tendo vários livros sobre direito publicados. Sobre seus romances policiais, O Instinto de Morte é seu segundo, sendo o primeiro A Interpretação do Assassinato – que ainda pretendo ler, claro – seu romance de estreia, já publicado em 28 países.

O tema tratado nessa ficção policial eletrizante é excepcional. Em 16 de setembro de 1920 uma bomba explode em plena Wall Street – até hoje uma das mais movimentadas ruas dos EUA – contabilizando 36 mortos e mais de trezentos feridos.

 

“Num dia claro de setembro, na baixa Manhattan, o centro financeiro dos Estados Unidos tornou-se alvo do maior ataque terrorista já ocorrido em solo americano. Era 1920. Apesar daquela que foi considerada até então a maior investigação criminal na história dos Estados Unidos, a identidade dos criminosos permanece um mistério.”

– É bem assim que começamos a leitura!, pag. 7 –

 

É em meio aos estilhaços que nos deparamos com o médico Stratham Younger, Colette Rousseau, cientista da equipe de Marie Currie e seu irmão mais novo Luc e o destemido detetive James Littlemore (coadjuvante que rouba a cena). Juntos, eles buscam respostas e tentam desvendar o mistério que ronda o atentado, adentrando, cada um à sua maneira, em uma trama internacional intrínseca e perigosa.

 

“Quando se puseram de pé, Littlemore cuspiu da boca um palito de dentes quebrado, esquadrinhando o caos. “Pode me ajudar, doutor?”

Younger aquiesceu. Virou-se para Colette, com uma indagação nos olhos. Ela também aquiesceu. Para Littlemore, Younger disse: “Vamos”.

Os três abriram caminho à força pela multidão bestificada.”

– pag. 23 –

Com uma narrativa dinâmica e diálogos muito bem construídos, o autor nos encaminha para uma Nova York dos anos 1920, fragilizada pela Grande Guerra e no auge dA Proibição, onde os personagens buscam resolver suas questões particulares em meio a investigação do atentado, unindo o melhor de um thriller policial à uma análise dos jogos de poder da política americana do período entre guerras.

 

“Certo, vou resumir o que temos. Temos um dente, uma bomba, um sequestro e duas mulheres ruivas perto da minha viatura, uma delas com uma cabeça crescendo no pescoço. Você deve estar tentando imaginar como tudo isso pode estar relacionado, certo?”

– Capitão James Littlemore expondo os fatos, pag. 55 –

Se você, assim como eu, não conhecia a obra ou o autor, não se preocupe. Este é um livro bastante acessível, publicado pela editora Paralela em 2012. Vale muito a pena reservar um lugar em sua lista para este livro enganosamente despretensioso. Ao ler, página por página, a cada pista descoberta e a cada novo conflito envolvendo esse quarteto improvável e carismático, Rubenfeld demonstra todo seu empenho em uma pesquisa impecável, narrando fatos convincentes, desde o figurino e os costumes da época, até as dificuldades vividas por Marie Curie e os dilemas pessoais de Freud.

Resumindo: O Dr. Younger volta da guerra, onde conheceu Colette e seu irmão Luc, ela sendo voluntária para ajudar os soldados feridos manipulando uma maquina de Raio-X desenvolvida no instituto de Marie Curie. Os três encontram um velho conhecido de Younger, o policial James Littlemore, que tem uma família numerosa demais para ser convocado para a guerra. A explosão em Wall Steet acerta-os em cheio, mas após a poeira baixar e os feridos serem atendidos ali mesmo, indícios de que algo muito maior do que um simples atentado chamam a atenção dos envolvidos. Os fatos ficam cada vez menos compreensíveis conforme sequestros, tiroteios, experiências com Rádio e reuniões políticas se desenrolam.

 

“O que é, então, real e o que é imaginativo em O Instinto de Morte? Tentei seguir um princípio simples. A ação do livro – os perigos enfrentados pelos protagonistas, os atos malignos que eles descobrem – é ficção. O mundo no qual essa ação transcorre é real.”

– Trecho da Nota do Autor, pag. 389 –

 

Sem deixar pontas soltas, as investigações culminam em um desfecho surpreendente que é um desafio para os fãs desse gênero literário. Considere-se desafiado a tentar desvendar as pistas e determinar causas e a finalidade dos acontecimentos em O Instinto de Morte.

A.G.R.

 

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Os Goonies

Saudações aventureiros!

Nosso assunto são os livros, e nosso negócio, meu chapa, é ler.

Como disse Tyrion Lannister, uma mente precisa de livros como uma espada precisa de uma pedra de amolar, então, cá estamos nós, dedicando algum tempo à nossos “afiadores de mente”.

Para começar, escolhi um livro marcante, pelo menos para mim, dentre tantas obras clássicas. Não que o livro seja marcante, mas sim o filme. Se você foi jovem nos anos 1980, então deve ter assistido a essa criação – uma das melhores – de Steven Spielberg, intitulada “Os Goonies”. Pois bem, guardando a lembrança saudosa, depois de muito tempo, fui presenteado (por minha namorada, que amo muito e que não me perdoaria se eu deixasse de menciona-la) com um livro que, para minha surpresa, não era nada menos do que a Edição Especial de 30 anos de Os Goonies, lançada pela editora DarkSide® (da qual falaremos mais sobre, pode ter certeza).

Escrito por James Kahn e traduzido para o nosso idioma por Cecilia Giannetti, Os Goonies traz de volta aos nossos corações aquela sensação maravilhosa e empolgante de querer se aventurar. Não precisa se encabular, acontece com todos nós. Aquela euforia subconsciente, aliada à vontade poderosa e infantil de ter a sorte de encontrar um mapa do tesouro – que traduzida para a realidade, pode nos ser apresentado de diversas formas diferentes, desde que você mantenha a mente aberta e esteja disposto a ver as coisas cotidianas da forma singela e inocente com que as crianças encaram as descobertas.

É engraçado perceber essa nova tendência. Não tenho tantas páginas devoradas quanto gostaria, e acredito que nunca estarei devidamente saciado, mas, pela minha experiência, sei que o comum eram os livros virarem filmes. Temos inúmeros exemplos desse tipo de situação. Entretanto, há alguns clássicos que nasceram como filmes e se tornaram livros posteriormente. Essa novelização é o caso de Os Goonies.

Esta Edição Especial de 30 anos – reparem o modo como me gabo sempre quando escrevo “Edição Especial” – em capa dura, além de me lembrar que o tempo passa depressa e que estou ficando velho, acompanha um poster comemorativo e é dividida em um prólogo, que narra a fuga de Jake Fratelli, ladrão armado e condenado, da Prisão Estadual, ajudado por seu irmão Francis e Mama Fratelli, ambos também fugitivos; seguindo por nove capítulos narrados pelo personagem Mikey Walsh; e fechando a trama temos dois epílogos, totalizando 240 páginas extremamente divertidas de se ler.

“Eu jamais trairei meus amigos das Docas Goon,

Juntos ficaremos até o mundo inteiro acabar,

No céu e no inferno e na guerra nuclear,

Grudados feito piche, como bons amigos iremos ficar,

No campo ou na cidade, na floresta, onde for,

Eu me declaro um companheiro Goony

Para sempre, sem temor.”

 – O JURAMENTO GOONY –

Se você ficou curioso, então lá vai um resuminho:

Mikey Walsh – Michael, na verdade –, garoto baixinho, medroso e asmático de 13 nos, mora com seus pais e seu irmão mais velho Brand na parte da cidade chamada Docas Goon, em Astoria – que se estende pelo litoral até Oregon. Junto com seus vizinhos e comparsas Bocão Devereux (o palhaço do grupo), Gordo Cohen (o maior loroteiro daquele hemisfério) e Dado (Rick Wang, o pequeno gênio inventor), encontram entre as velharias do museu que seu pai guarda no sótão, um mapa do tesouro e um dobrão de ouro.

“Nada de excitante acontece por aqui”

– Mikey Walsh, pag. 17 –

Como nada interessante costumava acontecer por aquelas bandas, e prestes a serem separados, talvez para sempre, pela execução das hipotecas de suas casas pelo Country Club Hillside, a turma denominada de Os Goonies parte em direção ao local marcado com um X no mapa do pirata Willy Caolho.

“Tenham cuidado os intrusos

Com a esmagadora morte e a dor,

Encharcada de sangue

Do ladrão usurpador”

– trecho do mapa de Willy Caolho, pag. 44 –

No caminho, desvendando os enigmas do mapa, Stef e Andy completam o time. Dando de cara com a famigerada família Fratelli que se escondia em um antigo restaurante no farol abandonado, os garotos encontram a entrada para a caverna que guarda o tesouro pirata escondido.

Entre armadilhas, o perigo de serem apanhados pelos Fratelli, os enigmas que devem desvendar e a aparição surpreendente de um salvador amável e improvável, Os Goonies superam seus medos, encontram a esperança confiando uns nos outros e encaram os maiores desafios de suas vidas, até aquele momento, com coragem e determinação que só uma criança é capaz de demonstrar.

Special Edition

Never Say Die

“Os Goonies, na verdade, é um filme sobre a amizade, sobre manter-se unido. O sonho de toda criança é poder estar no controle de seu próprio destino, ainda que apenas por um sábado à tarde. Não seria incrível nunca perdermos esse sonho? A verdadeira magia dessa história está sobretudo naquilo que eles se tornam uns para os outros, de uma maneira muito especial.”

– Steven Spielberg –

Não é simples encontrar histórias como essa. A lição de moral transmitida vai além de encarar os desafios que aparecem pelo caminho durante nossa trajetória em busca de algo especial. O companheirismo e as demonstrações de amizade e de criatividade tornam esse livro digno de nota.

Se você não conhece a história, a sugestão é ler o livro e depois comparar a aventura descrita com o filme. Caso você já tenha visto o filme, garanto que não será um desperdício reviver a trajetória dos Goonies enquanto procuram o tesouro perdido do pirata Willy Caolho. Uma boa historia como essa merece ser revivida de vez em quando, assim como qualquer boa lembrança que guardamos nos cantos mais confortáveis da memória.

“Então, o que eu queria dizer é, se você tentar pegar coisas que pertencem a outra pessoa, não vai obter o que pensou que estava pegando, vai acabar obtendo apenas o que deve obter.

Mas se você pegar o que alguém está tentando lhe dar enquanto você pedia pelo que imaginava querer, você acaba recebendo muito mais do que pudesse imaginar.”

– Lição de moral de um garoto, que muitos adultos teimam em não aprender; pag. 237 –

Saudações literárias e continue firme na leitura. Os livros ainda podem mudar o mundo para melhor!

A.G.R.

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